Publicações Eletrônicas de interesse geral

extensao_rural

Por Eliseu Alves e José Pastore

 

Como se explica o atraso da agricultura da maioria das propriedades rurais em um país que apresenta os mais altos níveis de produtividade nesse setor?

Muitos atribuem esse atraso à precariedade dos serviços de extensão rural que até hoje não souberam levar aos pequenos agricultores a modernidade das novas técnicas de plantar e colher. O que dizer sobre essa hipótese?

Não há dúvida de que os serviços de extensão rural devem e podem ser melhorados. Mas o problema é mais complexo. O atraso da agricultura tradicional decorre de vários fatores.

1. Entre os pequenos produtores, o baixo nível de educação constitui sério empecilho para a adoção de novas tecnologias, o que também limita o acesso às políticas públicas, em especial ao crédito subsidiado.

2. As políticas de garantia de preços e de compra antecipada da safra pouco chegam aos pequenos produtores. A seleção é perversa: quem menos precisa é que mais se beneficia.

3. Os regulamentos das políticas agrícolas são bastante rigorosos e afastam grande parte dos que não dispõem de um título adequado de posse da terra, que não têm condições para obedecer às regras do Código Florestal ou para apresentar projetos detalhados da produção pretendida. Afinal, os bancos emprestam a quem tem bons cadastros e o costume de pagar.

4. Os pequenos produtores vendem sua produção por preço bem menor que os grandes produtores e compram os insumos por preços mais elevados. Como as despesas superam os ganhos, as tecnologias se tornam não lucrativas. Sem lucro, não há nada que faça o agricultor se modernizar.

5. Os grandes produtores juntam os conhecimentos obtidos via pesquisa e extensão rural (particular ou pública), desenham e avaliam sistemas de produção, tomam empréstimos a juros subsidiados, compram insumos, produzem e vendem a produção. Os pequenos produtores, por não saberem formular sistemas de produção eficientes, ficam para trás. Para eles, a pesquisa e a extensão rural têm de entregar esses sistemas já avaliados, divulgando os resultados para a realidade especifica em que trabalham – o que raramente ocorre.

A conjugação dessas forças adversas explica em grande parte a concentração da produção agrícola e o baixo desempenho dos pequenos produtores no Brasil. Nem a melhor extensão do mundo é capaz de reverter a perversidade do quadro atual. O Pronaf busca atenuar o seu impacto. Mas não está livre de uma seleção perversa: as regiões Sul e Sudeste, já modernizadas, se apropriam da maior parte dos recursos, quando comparados com o que vai para o Nordeste, que concentra mais de 60% da pobreza rural. Ou seja, as forças que conspiram contra os pequenos produtores escapam ao controle da extensão rural e estimulam a concentração da produção. É sabido que apenas 11% dos produtores se beneficiam das políticas agrícolas e têm acesso às novas tecnologias, gerando quase 90% do valor da produção agrícola. No outro extremo, 90% dos produtores pobres respondem por apenas 10% do valor da produção.

A extensão rural é uma ferramenta essencial para a difusão de tecnologias. Mas, para ser eficiente, se faz necessário remover as imperfeições apontadas. Sem isso, tornam-se inúteis os esforços para solucionar o problema da pobreza por meio da atividade agrícola.

Nos Estados Unidos também 87% da produção vêm de 11% dos produtores. Mas lá, como em vários países da Europa, políticas específicas atenuam as restrições dos pequenos produtores. Investimentos maciços são feitos em pesquisa e extensão rural – todos eles voltados para esse universo. Além disso, aqueles países encontraram solução para os produtores mais pobres fora da agricultura – em outras atividades.

No Brasil, o desafio é imenso. Dados do Censo Agropecuário de 2006 e da Embrapa indicam que a terra explica menos de 10% do aumento da produção; o trabalho, explica cerca 22%; e as tecnologias, 68%! Por isso, é preciso cautela antes de responsabilizar a extensão rural pelo atraso da agricultura tradicional. A extensão não pode fazer milagres. Para atender os 3,9 milhões de pequenos produtores, o Brasil precisa de políticas que removam os obstáculos apontados e ampliem o número de extensionistas, públicos e privados.

Em suma, além de melhorar os métodos de trabalho da extensão rural, há muito que se mudar nas políticas agrícolas. Nesse sentido, é muito bem vindo o esforço do governo federal ao propiciar assistência ajustada à pequena propriedade, mas, é bom repetir, que as restrições indicadas podem inviabilizar as boas intenções dos governantes.

Artigo veiculado pelo Valor Econômico em 28 de junho de 2013

Eliseu Alves, engenheiro agrônomo, é pesquisador da Embrapa.

José Pastore é Ph. D. em sociologia e professor titular da FEA/USP

Fonte : https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/1494845/possibilidades-e-limites-da-extensao-rural

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Toda semana, eu e minha vó enfrentávamos uma guerra. Nossos inimigos eram pobres e maltrapilhos como nós e o campo de batalha era um grande hortifrúti aqui do Rio de Janeiro. A gente se acotovelava com várias pessoas depois da xepa para disputar as sobras do dia, frutas e legumes passados, mofados ou feios demais para serem vendidos. Ficávamos na caçamba dos alimentos que não prestavam mais e agarrávamos tudo o que conseguíamos levar. Leia mais..

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By Leila Ferreira

 

Estamos obcecados com “o melhor”.  Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do “melhor”. Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros para trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com “o melhor”. Isso até que outro “melhor” apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.

Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter. O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.

Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros…) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o “melhor chef”? Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo “melhor cabeleireiro”?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o “bom” que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens”perfeitos”. As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à chance de estar perto de quem amo… O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na busca do “melhor” a gente nem percebeu?

“Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos.”
Shakespeare

“Quanto maiores somos em humildade, tanto mais perto estamos da grandeza”.
(R. Tagore)

Leila Ferreira é uma jornalista mineira com mestrado em Letras e doutora em comunicação em Londres, que optou por viver uma vida mais simples, em Belo Horizonte

 

 

cerebro

By Milan Kundera, autor tcheco, nasceu em 1º de abril de 1929

Sem emoção a razão é fria e insossa. O mundo moderno se orgulha de ser racional e só admite como verdade o que pode ser provado. Assim é descartado tudo o que, por incapacidade, temos dificuldade de mensurar, mesmo que seja verdade. Com isso estamos deixando uma grande lacuna no conhecimento humano, alegando simplesmente que pertence ao emocional. Esquecemos que é a emoção que nos faz sentir, ela fala uma linguagem que nem precisa de palavras, pois envolve outros sentimentos mais profundos. Quantas vezes apenas um olhar é suficiente para entendermos muitas coisas.

Sem emoção o nascer do sol, por exemplo, é apenas a consequência da rotação da terra, com emoção é um espetáculo que se repete todos os dias sem nunca um dia ser igual ao outro. Quando alguém emocionado agradece a Deus pela cura de uma grave doença, será até uma afronta dizer que foi obra do acaso, ou dos medicamentos.

Podemos até nos basear na razão para nos orientar, mas as nossas decisões são mais emocionais que racionais. Em 1982 o neurocientista Antonio Damásio concluiu, após estudo de pacientes, que “um cérebro que não consegue sentir, não pode decidir”. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho!

 

assalto

 

por Rodrigo Vergara

A sensação de insegurança no Brasil não é sem fundamento. Somos, de fato, um dos países mais violentos da América Latina, que por sua vez é a região mais violenta do globo. Em uma pesquisa da Organização das Nações Unidas, realizada com dados de 1997, o Brasil ficou com o preocupante terceiro lugar entre os países com as maiores taxas de assassinato por habitante. Na quantidade de roubos, somos o quinto colocado. A situação seria ainda pior se fossem comparados os números isolados de algumas cidades e regiões metropolitanas, onde há o dobro de crimes da média nacional. São Paulo, por exemplo, já ultrapassou alguns notórios campeões da desordem, como a capital da Colômbia, Bogotá. Leia mais

marketing-21

 

Boa parte dos empreendedores não investe o tempo devido em planejamento e não tem experiência em vendas. Esta ferramenta tem o objetivo de facilitar a elaboração de um planejamento de marketing e vendas, considerando as limitações de recursos, tempo e conhecimento de cada um.

A sigla Aidala se refere às etapas que o empreendedor deve seguir para conquistar clientes fiéis: atenção, interesse, desejo, ação, lealdade e apóstolo. A cada etapa, cabe ao empreendedor tomar decisões a respeito de outro conceito consagrado do marketing: os 4 Ps (produto, praça, preço e promoções).

Inicialmente, o empreendedor deve refletir sobre o posicionamento do seu negócio, perguntando-se qual o perfil de cliente desejado pela empresa e como o negócio deve ser percebido pelo público-alvo. Depois, será necessário decidir sobre ações relativas aos 4 Ps, dentro de cada etapa. Ao final do processo, ele terá uma visão mais clara sobre a estratégia de marketing e vendas que deve adotar. Leia mais.

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Por Robson Vitorino

Você já deve ter assistido alguns dos filmes da saga Crepúsculo. Se não, pelo menos já deve ter visto alguns dos clássicos do Conde Drácula. Na saga Crepúsculo, Edward e Bela protagonizam um belo romance de vampiros modernos e com super poderes. E você acredita em vampiros?  Não?  É eu também não acreditava e você já ouviu falar em vampirismo?

O vampirismo é uma palavra abrangente que refere-se a uma antiga tradição de vampiros fundada no Antigo Egito. Está relacionado também ao ato e forma de retirar a energia ou sangue de outra pessoa, de forma involuntária pelo meio de ataque vampírico, ou de forma voluntária pelo intermédio de doadores. Por alguns é considerada uma doença, mas para outros é a forma comum para adquirir o seu sustento.

Durante minhas andanças pelo meio corporativo, conheci alguns vampiros. Eles são muito parecidos como nós, simples mortais. Os olhos não mudam de cor, não tem pele fria (apesar de serem) e nem dá para ver os dentes pontiagudos. Ao contrário do que reza a lenda, eles tem reflexo quando se olham no espelho e têm pulsação normal. Você deve estar se perguntando como eu posso ter certeza de que eles eram vampiros? Vou te explicar.

O vampiro corporativo tem uma técnica especial de aproximação. Mostra-se preocupado com você e o seu bem estar. Geralmente ele se utiliza da seguinte abordagem “será que você poderia me ajudar com um projeto, já que você é tão inteligente e tão experiente neste assunto…”. É visto como um grande amigo e alguém muito prestativo. Leia mais.

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